
Tenho a sensação que os anos estão passando mais rápidos. Na infância sobrava tempo, hoje falta. Guardo centenas de lembranças dela, tratando-se de tempo, cito como era meu dia a dia: ia para escola, quando chegava fazia os temas de casa, olhava o desenho e ia brincar, tinha todo o tempo para me divertir, explorar o novo, ver minhas amigas, ir à avó, brincar com meus primos, passear e ficar com a família. Lembro como fosse hoje, das apresentações do grupo de dança da escola, dos domingos que acordava com as músicas a todo o volume do meu pai, Julio Iglesias, Luis Miguel, Skank, Shakira, Tim Maia, dances dos anos 90 e por ai vai, das festas em família, das filmagens que o pai fazia, são tantas lembranças boas, engraçadas, constrangedoras e fantásticas que jamais esquecerei. Das inúmeras brincadeiras lembro que mudava de profissão todo o dia, como seria bom se pudesse hoje fazer o mesmo, hora era professora das amigas, jornalista falando com o espelho, patinadora, terapeuta das barbies. Hoje o tempo encurtou, dever ser a ansiedade geminiana que quis tudo para ontem, e a rotina mudou muito, exercícios, tomar banho, comer, Cursinho, afazeres domésticos, as obrigações femininas (unhas, depilação e afins) dormir e nas horas de lazer leitura, DVDs, jantinhas, conversar online com a família e amigos. Faz-me rir lembrar o quanto me sentia adulta no baixo dos meu 17 anos. Querendo ter o controle do relógio e as rédeas da minha existência. Aos 18 achei que seria muito fácil, iria ter a tão idealizada liberdade, só não me avisaram o peso da responsabilidade da tal liberdade, tolinha eu. O tempo passou, mas continuo cheia de sonhos, me encontrando profissionalmente, com a necessidade absurda e inalcançável de fazer tudo certo o tempo todo. Não desisto, mas também não me torturo se algo não sai como esperado, tem muito chão pela frente. Se é lógico que o crescimento e o aprendizado vem como conseqüência é inútil querer ter sempre o controle. Hoje as portas dos meus 20 anos, não sou nem a metade da pessoa que quero me tornar. Excelência não é o lugar aonde se chega, excelência é o horizonte. Como otimista que sou, acredito que nascemos acima de tudo para sermos felizes e lapidados ao longo da vida, pela natureza, pelo dia a dia, pelas dificuldades, pelo diálogo e pela convivência. Transformação parece ser sempre o caminho, uma ação comprometida e verdadeira com aquilo que existe de mais importante. Enfim, não posso ser egoísta e só me queixar, tem muita gente passando por muito mais dificuldades, só agradecerei por ter sempre alcançado meus objetivos de uma forma ou de outra, agradecer pela saúde e principalmente pela minha família, que só sou o que sou hoje, devido a eles, vou aproveitar muito, realizar meus sonhos, para que possa daqui um tempo, ter lembranças boas e ver que valeu o esforço e a distância. Estive longe da minha família, mas conversei com todos ao telefone. E o meu maior presente foi estar com uma das pessoas que amo nessa vida, o meu namorado Ro. Tudo novo de novo.